Rótulos: O que sou?


Sempre ouvimos por ai que devemos seguir nosso coração, sermos quem somos de verdade, porém na prática é um pouco diferente.

Para eu poder ser eu mesmo perante a sociedade, tenho a obrigação de botar uma calça jeans masculina, uma camisa "tradicional" sem brilho e com estampas de homem, nada de usar rosa. Sendo assim quem garante que eu possa ser meu próprio eu?

Tenho que confessar que foi difícil me aceitar. Ser GAY pode ser muitas coisas mas principalmente para a mente de um adolescente de classe mais baixa foi uma dor, uma descoberta que criou muitos sentimentos ruins, olhar no espelho era muitas das vezes motivo de vergonha, e ao contrario dos muitos contos de fadas eu não tive um suporte familiar tão grande, mas também não foi ruim (então não tenho do que reclamar).

GAY era uma palavra inaceitável para mim e foi a pouco tempo que eu descobri o significado, que nada mais é que "Alegre, Jovial", sabendo disso eu vi que eu era essa pessoa, eu sou gay, eu sou alegre e jovial e foi nisso que eu encontrei minha força para levantar a cabeça e começar a enxergar que além de tudo eu era um ser humano como todos os outros e que possui interesses diferentes dos meus "colegas" homens héteros.

Aceitação é um processo doloroso e demorado e entrando agora na idade adulta eu descubro a cada dia que me aceitar é difícil, complicado e cheio de erros.

O ato de se aceitar é uma ação que vem com muitos rótulos: Pronto, agora eu finalmente me aceito um homem gay, mas que tipo de gay eu sou? Afeminado, urso, barbie, padrãozinho, etc. São muitas definições, esse fato é tão limitante. Eu não quero ser apenas uma unica forma de gay e agora que eu descobri que existem rótulos eu tenho que aceitar ao qual as pessoas me definem, sendo afeminado tenho duas alternativas: Ou muda e vira macho, ou aceita sua realidade e solta a franga que está dentro de você. Outra pressão é adicionada em cima de suas escolhas, portanto aceitação não é um processo rápido e calmo como alguns filmes pintam.

Então o que eu sou? Eu sou eu, eu sou o Dj que não toca na night, um viado que adora coisa de viado, e que passa os dias tentando aceitar seu lugar no mundo, e tentando sobreviver a cada dia num pais onde a cada 19 hrs alguém é morto por LGBTQ+FOBIA.

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